ORF.2

Hey ! Ando desaparecida aqui do blog a algum tempo . Não tenho tido possibilidade de vir aqui , mas hoje vou aproveitar e postar alguns artigos que tenho vindo a preparar.

Foi-nos proposto mais um projecto que consistia numa abordagem ao som através do processo criativo de uma instalação da nossa autoria. O projecto é mais uma vez orientado com um objectivo definido e um processo livre. Assim, o uso de um destes programas de som era obrigatório: Adobe Audation, Audacity, MixCraft, entre outros, já que a base do projecto é a criação de um ficheiro de som. Foi-nos imposto que o som criado por nós teria que ter no mínimo um minuto de duração. A instalação deveria (mas não obrigatório) abordar o tema de “os não-lugares”. Assim, o projecto consiste na projecção de uma instalação, ou seja, realizado através de uma exposição oral, de relatórios e esboços a nossa instalação, desenvolvendo-a até ao ponto que estaria pronta a realizar-se “fisicamente”, o que não aconteceria. Apenas o som teria que ser finalizado e realizado a fim de ser entregue. Como é habitual em todos os projectos de desenvolvidos até ao momento, o projecto inicia-se com, obviamente, a apresentação do projecto assim como a explicação de recursos a utilizar, como recomendações e exemplos fornecidos pelo Dr. Daniel. A partir deste momento, o projecto é nos entregue e inicia-se o processo individual. Este, inicia-se com o habitual brainstorming. Assim, pesquisamos inicialmente o tema “não-lugares” a fim de familiarizarmo-nos com o tema. Obtemos conhecimentos que os “não-lugares” . Tivemos também a oportunidade de observar e assistir a certas instalações de artista, já que esta era a primeira vez que planeávamos uma instalação. Após o brainstorming realizado, começamos por construir ou idealizar a instalação que iríamos projectar. Decidir tanto o subtema que utilizaríamos, como a forma como o abordaríamos, assim como o moldaríamos a uma instalação e de que forma o som seria abordado e se tornaria o elemento ou dos elementos essenciais neste projecto. Depois de definirmos esses parâmetros começamos por procurar reunir todos os elementos que intrigariam o nosso projecto, para que estes estivessem ao nosso dispor de modo a facilitar-nos a criação do ficheiro de som, já no programa. O nosso projecto consiste numa instalação acerca dos orfanatos. A opção de nos basearmos num orfanato, desde já, é baseada na nossa perspectiva negativa acerca deste assunto. Ou seja, um orfanato será considerado um “não-lugar”, supondo que não existe qualquer estabilidade paternal ou elo de ligação, abordando o que este lado negativo contém, como violações, agressões e até explorações. Será abordada uma breve comparação entre um orfanato, positiva e negativamente. Assim, esta instalação pretende que o receptor desta se aperceba do que se passa num “não-lugar” como num orfanato, e o espectador sinta alguma diferença e consiga agir. Em suma, esta instalação apela à nossa responsabilidade social que abrange toda a sociedade. O nome da instalação é apresentado como ORF.2. Achamos importante que o título do trabalho fosse simultaneamente simples e de fácil interpretação, em parte, tal como o próprio orfanato enquanto edifício e moralidade. Assim, o nome resume o que é aqui abordado, como a abreviatura de orfanato – orf.; e o que esta pretende despertar no espectador através da sigla r.s. – responsabilidade social. A instalação será realizada entre um corredor, uma sala e novamente o corredor. A instalação é toda funcional através de sensores e temporizadores. O espectador inicia o seu percurso na instalação através do corredor. Este corredor encontrar-se-á iluminado apenas através de uma luz de presença. Entretanto a luz desliga-se e surgirão o som de passos simultaneamente com as pegadas que surgirão no chão, através das tintas fluorescentes, em direcção à sala, correspondendo com o som. (Após este início de instalação, o espectador encontra-se confuso e intimidado com o assunto). Ao chegar à porta que dará acesso ao interior da sala, encontrar-se-á na porta a imagem de uma criança a fazer sinal de silêncio. Ao abrir a porta, o espectador depara-se com uma sala iluminada, com um banco no centro para que se possa sentar a ouvir os sons e a observar as imagens que estarão a ser reproduzidas. Imagens estas de crianças felizes e estas serão todas projectadas no mesmo sítio, transmitindo uma despreocupação ao espectador ao visualizar a felicidade deste orfanato. Encontrar-se-á também nesta sala a um canto uns balões de cores, simbolizando a infância feliz. Durante o tempo que o espectador permanecer na sala escutará sons de bebés a palrarem , ou do riso de uma criança, ou mesmo de uma declaração de carinho que é interpretada através de um “Gosto muito de ti”. De seguida, o som desliga-se para que o espectador se dirija novamente para o corredor, através da única saída que encontra. Assim, retoma o corredor que abandonara antes, e este estará novamente iluminado apenas pela luz de presença fraca. Aqui começarão a surgir imagens que sugerem crianças violadas, exploradas e agredidas, juntamente com o som do choro, irá ser criada uma áurea de choque. Nesse momento as imagens não são projectadas sempre no mesmo sítio, mas sim nas duas paredes e até no chão ou no tecto. Esta forma de apresentar as imagens ao espectador tende com que este se sinta confuso, intimidade até, resultando e fazendo com que o estado de espírito, alcançado anteriormente, mude drasticamente. Ao chegar ao fim do corredor, encontrará uma parede, onde estará desenhado duas mãos a cores (vermelho e azul), simbolizando as cores. Foram utilizadas estas cores por causa dos sinais obrigatório e proibido do código da estrada, já que na mesma parede será projectada o sinal de proibido com palavras que descrevem actos que deveriam ser proibidos num orfanato, tais como violação, abuso, exploração, agressão, infelicidade, entre outros, e seguidamente o sinal de obrigatório com palavras que descrevem respectivamente actos que deveriam ser obrigatórios num orfanato como amor, respeito, carinho, lugar, elo, estabilidade, educação, entre outros. O som que representa vozes repetidamente, repete cada vez que muda a palavra. Após esta projecção terminar, o corredor ficará todo escuro e somente a saída se iluminará, terminando assim a instalação ORF.2. A nossa instalação visa com que este mexa de certa forma com o espectador, que o leve no mínimo a reflectir acerca deste tema, os orfanatos e no que no seu interior se passa, que nos pertence a todos, e que leve o espectador a agir. Em suma, projectamos uma instalação que movesse alguma coisa na sociedade, de forma individualista. Combatemos também o habitual modo de vida das pessoas, actualmente, que se baseia na desistência e abandono de assuntos que mereçam responsabilidade e lucro exterior. Assim, a nossa instalação remete a impossibilidade de desistir ou recuar a partir do momento que entramos na instalação, obrigando o espectador a ter que percorrer a instalação e a visualizá-la e escutá-la toda. Através desta imposição conseguimos de forma ligeira contrariar o habitual modo de agir da sociedade. O nosso propósito era que a instalação juntamente com tudo o que a compõe como o som ficasse inconscientemente na memória das pessoas, nem que fosse apenas durante 2 minutos depois de terem finalizado a instalação, de maneira a que esta se torne uma memória consciente, e que consigam agir.

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